Pages

8.9.14

Insolúvel

Eu viajo em todas as palavras que conheço para ver se uma delas me dá carona a um lugar legal. Um lugar longe de você.
Não me permito correr sozinha, seria desgastante demais perder tantos quilômetros pensando em uma possível solução, sou planejadora do meu próprio futuro, mesmo que hajam pedras colossais nas passagens que eu esculpir.
Roer minhas unhas pode me dar até um estalo de agonia que me levará a algum caminho, alguma estrada que se abre em forma de solução ou escudo a cada vez que arranco as pontas das minhas unhas e as vejo sangrar. Se não isso, consigo traçar um caminho desenhado a sangue, que corre rápido e seca aos poucos, em pouco tempo, restando apenas fragmentos de mim mesma entre meus dentes. Sou forte e dura, mesmo vertendo mil lágrimas pelos olhos, meu choro é duro e tenho que colocar minhas mãos no fogo para que as lágrimas derretam e saiam sem machucar tanto, são pedras de gelo guardadas dentro de mim.
Além das lágrimas que congelaram por si só, você conseguiu congelar o resto do meu coração que já perdia o calor. Ultimamente ele não bate no ritmo doce que batia antes, há mais ou menos uns 10 anos, o tempo em que eu sonhava acordada com o amor parecido com o seu, que afinou as batidas e as fez parar.
Dificilmente vai haver um músico que me ensine a entrar no ritmo ou maestro que conduza uma sinfonia tão triste como a minha.
Sou forte e dura, eu sei, consegui desligar a tristeza de mim. Pelo menos a que você inspira. O mundo é muito grande e minha vida ainda está começando, mesmo que eu não possa mais te abraçar. Há muitas coisas para serem descobertas neste planeta, ainda há muito que me faça maravilhada, mesmo que não seja você.

4.9.14

Queime as minhas páginas

Burned_Pages___Autodafe___by_SoRealMacroRemi Minhas páginas vão queimar, sim. 
Elas vão cozinhar e ser consumidas, 
como os dias que já passaram na minha vida, 
na minha superfície. 

Minhas histórias serão lidas e relidas 
 nenhum dia irá se passar 
como os dias que se passaram por mim, 
dos ventos que eu senti, 
do sol que me esquentou. 

As palavras das minhas histórias já foram lidas, 
você já as leu, você já as desvendou. 
Mas não se esqueça de queimar tudo depois, 
e falar para mais outros e outros. 

 Não deixe provas, 
prove por si mesmo 
o que eu consegui provar pra mim 
nos dias em que vivi. 

Fale as palavras em voz baixa, 
e se houver dificuldade de entendê-las grite bem alto, 
porque assim elas persistirão 
nos ouvidos de outras pessoas. 

 Divida. 

Tudo, ou seu nada, apenas divida. 
Porque eu estou dividindo o que tem no meu livro, 
meu hoje meu ontem 
e quem sabe meu amanhã, 
até quando houver um. 

Você vai nascer e eu estarei aqui. 
Vai morrer e meus passos 
terão passado pelos mesmos lugares que os seus. 
Vou repetir mil vezes as palavras, 
mas ninguém ouvirá minha voz de fato.

5.8.14

Preciso de um chá de esquecimento


Músicas lembram momentos
que lembram pessoas
que lembram…

Lembrar é uma função triste do nosso cérebro
que nos leva para o passado
nos carrega pra um lugar frio
que dói no peito
toca na pele como um arrepio
traz noite pra o sol brilhando
cegando nossa mente
pra o resto do mundo.

Não tem beijo que anime
não tem alegria que expulse
toda a dor que a lembrança carrega
ou toda a felicidade morta
que não teremos mais.

 Sentir é quase sinônimo de chorar
porque o tempo levou os outros sentimentos
junto com o momento vivido
e a única coisa que sobra é a saudade menina
segurando na nossa mão,
com as feições de algum amor
como uma filha pra criar.

26.5.14

Em gotas

Não consigo.
Vou me fazer de difícil, vou me virar de lado e suspirar. Tudo isso para fazer de conta que não quero.
Meus olhos talvez não consigam esconder, mas para minha sorte, você não será capaz de lê-los; porque crianças não possuem malícia suficiente para entender os desejos na alma de uma mulher.
Negarei em toda pergunta o que você espera por confirmação do que sinto, desde um simples SIM ou qualquer outra oportunidade de tocar meu corpo, porque quando você me toca deixa as gotas venenosas do seu cheiro. E AH! Que veneno!
Me odeio, mas amo.
Pois mesmo negando todos os segundos, mesmo não deixando que minha pele seja alcançada por seus dedos, vou acabar mergulhando no mar que transborda dos seus olhos, que me encaram pedindo para ceder.
E eu cederei.
Não cederei pelo mérito da insistência, sou incansável e paciente, nem tudo me toca. Mas vou me deixar cair ao seu lado em qualquer nuvem de um dia abafado e me derramarei em gotas de chuva, quando lá do alto, nossos corpos forem um nimbo pesado que quase toca o chão.
 

A mosca da sopa

A mosca voa pra lá
mas não sabe se vai voltar pra cá.
Vive zonza e órfã de juízo
buscando motivos pra viver,
aqui, ali, acolá.
A menina mosca para e olha ao redor
pra ver o vazio dos homens sem amor,
olha com seus muitos olhos e não consegue enxergar
a verdade do mundo que a vida deveria mostrar.
Alguém então disse:
“Vai mosca danada, para de zumbir,
que teu canto desafinado não é bom de se ouvir.”
“Uma pena. Sem Dúvida.
Porque eu adoro cantar com essa minha voz de criança
que um dia vou afinar.”
Vai mosquinha, pôr teus ovos em outra vizinhança
porque tua semente não vai brotar cá.
Cá onde ninguém dança
e nunca vai aprender a amar.

7.12.11

Saudades

Vivo na constante nostalgia das saudades, como se minha vida no passado tivesse um gosto melhor que a do presente.
Sinto os cheiros das lembranças que me fazem suspirar em tons profundos quando o vento sopra mais quente ou frio que o normal, não há nada melhor que o cheiro de um perfume do passado.
Mas há coisas que nunca conseguirei explicar, principalmente o fato de eu sentir falta das coisas que nunca aconteceram comigo, a saudade fora da minha vida, fora do meu destino. Coisas que são boas, as quais eu gostaria muito de viver; acho que isso é meu desejo que também sente saudade de não ter sido saciado.
Sinto saudade também do que não fiz, diferente dos meus desejos insaciados, as coisas que não fiz, são por escolha minha excluídas da minha vida, e não chamo de arrependimento, mas é a curiosidade do rumo que meu destino tomaria se eu tivesse escolhido isso ou aquilo. Algumas dessas opções talvez tivessem sido boas e tivessem me trazido mais sorrisos do que tenho hoje, ou mais lições (quem sabe?), por elas não me sinto mal, apenas curto a estrada das minhas escolhas.

E a saudade sopra no meu ouvido recordações de um passado agridoce,  me lembra que os anos não voltarão mais, sinto uma leve brisa revirando meu pensamento. Mas recordo que a curiosidade pelo meu futuro é a única coisa mais forte que minhas saudades.

29.9.11

Sozinha no escuro


Ela escrevia sem parar e não sabia como era o mundo de verdade, pois inventava mundos. E vivia só conversando consigo mesma e com o Deus no qual ela tanto tinha fé.
Era uma vida esquisita, marcada pela passagem e abandono de tudo que encontrava em seu caminho, de forma incrível, sabia se livrar involuntariamente das coisas e das pessoas que estavam à sua volta, e percebia isso, mas não conseguia entender como.



Algumas vezes, algo em sua mente lhe dizia por que fulano ou cicrano a deixou de lado, disso não se dava conta facilmente, demorando algumas vezes a perceber, e quando alguma coisa lá de longe a fazia suspeitar, ela não dava atenção deixando pra lá, tendo como resultado menos um em sua vida.
Alguns ditados dizem algo sobre quando ficamos mais velhos, ficamos mais espertos e vividos, mais cheios de experiências e pessoas nas nossas vidas, no caso dela isso parece não se aplicar, parece não ter efeito. A história da vida dela é sem resultado para ela mesma que tem ilusões de possuir o mundo tão perto do seu alcance, tendo na verdade, apenas papeis e canetas que vão escrever mais um sonho em vão.
Comete os mesmos erros várias vezes e sem ser digna de perdão é perdoada. Porque há algo nela que aflora um misto de pena e revolta, algo como uma tristeza que não tem cura, nos olhos e no sorriso dela um pedido de socorro “por favor me ame, amo você gratuitamente, amo a todos”.
Falta algo nessa menina, moça, mulher, seja lá como for, uma força de viver e de se defender na qual nunca na vida tentou ter, só vivendo no que ela acha ser humildade. Desde quando era muito pequena e aprendeu que existiu um homem que morreu por amar as pessoas, e mais tarde, outro homem amou o amor que não era amado, ele dizia que preferia apenas amar do que ser amado e morrendo que se vive..
Nunca foi heroína de um feito grandioso, nunca foi elogiada por ser boa em algo, se é que já foi boa em algo, sabe-se que era boa em rir de si mesma na escola, porque achava que esse era o único jeito de ser aceita pelas pessoas, e no pensamento dela, sempre há um jeito - é só ter vontade.
Quando a vi, entendi que ela tem uma criança irresponsável tomando conta do espaço da sua mente, porém seu corpo quer gritar o contrário, mas seus gritos são abafados pela voz doce e infantil. Ela precisaria viver infâncias e juventudes até cansar de rir e brincar, até abusar e dizer “não quero mais isso” Então assim, aqui ou ali as coisas vão se corrigindo, ela não vai ter mais vontade de chorar assustada com a cara feia das pessoas, nem vai mentir com medo de apanhar e não vai mais imaginar mil coisas ruins com espíritos, demônios e monstros quando estiver sozinha no escuro.

15.4.10

Tanto

Nunca pensei tanto em ninguém, nem em mim mesma.
Nem nunca tive tanta raiva de alguém.
Talvez seja porque vivo confusa e contente com o que nós temos.
Ou será que só eu tenho?
As vezes eu tento te forçar a provar que você também tem.
Você tem? - Olha eu de novo...
Não ligue, eu não quero que você se sinta pressionado. Apesar de não ser do fundo do coração isso...
Eu tento. Juro.
E morrerei tentando te mostrar uma forma de como se derreter por mim. 
Mas sei que vc não está olhando, que você não prestará atenção nisso...
O que, de diferente, você sente aí dentro? Ou de igual?
Se quiser me mostrar, abre mais um pouco, porque fechando o peito desse jeito, não consigo ver o que tem no seu coração.
Sabe? Se eu pudesse ver, queria ver um espelho dentro dele. Que me refletisse toda vez que eu olhasse..
Estou mal acostumada com seu cheiro, quase viciada, querendo mais e
mais..
Queria te abraçar agora...
lembra? Quando eu estiver triste, simplesmente me abrace...
Isso é errado?
Estou errada em querer uma coisa que você nem precisa me pedir?

Queria jogar tudo o que sinto, e principalmente minhas vontades, no
vento. Pra não precisar mais ... (acabaram minhas palavras, desculpe)

13.4.10

Voando

Não consigo trazer mais que um milhão de palavras, mas as mais fortes me carregam no colo.
Enquanto eu penso elas pegam na minha mão e amarram minha mente.
Isso para que eu não dê a luz à outro milhão de palavras, se isso acontecer, saio do caminho que já estou com as outras.
Longe, eu sei.
Eu vou longe demais com elas mas, e daí?
É tudo o que quero, estar a milhões de quilômetros daqui, longe demais para sentir a textura grosseira dos pés no chão.
Assim eu vôo.
Para isso devo só fechar os olhos e me concetrar no silêncio.

7.4.10

You're terrible late menina!

Querido diário,

Eu sou uma desocupada.
Sei que isso é normal, essa coisa de ficar uma ou duas vezes com a vida na mão sem ter o que fazer dela, mas no meu caso, quando não há obrigações há um tal de ócio.
Sim. O ócio.
Mas se todo o meu tempo de ócio me desse algum proveito eu até que gostaria dele, faria dele um passatempo legal sabe? Eu me casaria com o ócio se fosse assim.
Meu ócio tem as pernas curtas pra ficar sentado, ou se possível dormindo. Não anda, não me leva a lugar nenhum, anão chato! Então ele nem tem como vestir calças e um paletó pra se casar comigo.

Ai diário..
Se você soubesse de outra coisa que o meu ócio me traz, outra que eu não gosto, é da minha imaginação desviada.
É. isso mesmo. IMAGINAÇÃO DES - VI - A - DA.
Ela é outra que me faz ficar parada nos cantos pensando besteira. E é tão pesada... Essa gorda!
Uma anãzinha chata que não larga do meu pé, sopra umas coisas que ficam empregnadas na minha cabeça e só sacudindo elas caem no chão.

Preciso pegar na mão de uma obrigação de novo. Quem sabe ela me leva pra lugares interessantes? Ou então ela me apresenta uma forma de dieta e crescimento pra minha imaginação?
Seria ótimo, porque, tenho certeza, ela me levaria pra andar de novo no caminho dos tijolos amarelos e daí eu não teria que me encontrar com nenhum coelho me dizendo que estou atrasada, atrasada demais pra estar aqui parada sem fazer nada...

Ai se a Rainha de Copas me pega! Perco a cabeça...

4.4.10

Criança de novo

Eu estava lá, sentada cheia das minhas tarefas.
Não havia mais ninguém, estava sozinha, não que me sentisse bem nessa situação, mas quando agente é adulto, agente tem que ser adulto.
Isso me consolava bastante, apesar do meu medo de escuro, havia muito trabalho a fazer.
De repente, senti uma presença diferente, sobrenatural. Apesar de morrer de medo de tudo isso, naquele momento, nenhum tipo de medo chegava perto de mim. E tenha certeza, medos são minhas companhias, e as vezes até pegam na minha mão, eu corro e e choro, até suar.
Senti que ela não vinha acompanhada de medos, tinha ao redor algo que fazia rir, uma fumacinha e cor neon. Era criança, e eu nos meus saltos e decote, me senti criança também. Olhando pra ela, me vi no reflexo do  computador, laço de fita e cabelos cacheados. Vi em mim muito do que não esquecera há tempos, mas tinha medo de mostrar. Algo que nunca deixei de ser.
Pelo andar da história já se viu que era uma menina. Loira, magrela, aparentando seus 10 anos, que se escondia nas quinas das paredes pra não ser vista, ou para chamar pra brincadeira. Não sei ao certo. Só sei que escolhi pular da cadeira, agora alta pra mim, e sair correndo como nunca mais tinha feito.
Entre as colunas de um salão, brincamos de esconder. Num canto da parede, tinha uma mesa com louças minúsculas que chamavam para um chá.
Era tão lindo, tão diferente.
Eu não pronunciei uma palavra, mas ouvia e via pessoas estranhas chegando o tempo todo.
De repente veio a música, e com ela a alegria, o cheiro do suor e os passos das pessoas dançando.
Um estrondo soou, a música parou e uma voz chamou meu nome. Parecia uma bruxa, que depois de milênios de maldade e gritos horrorosos, esqueceu como era a voz humana e tomou como um arranhão o som de sua voz.
Meus ouvidos doíam, e então levantei da cadeira.
Olhei ao redor e vi uma sala branca, vi meu computador e vi um sorriso falso. Pedi mais um minuto e caí tonta na cadeira. A garota saiu correndo e atrás da parede vi seu vestido voando.
Um laço de fita se soltou para que eu percebesse. O chá foi real.

24.3.10

A caneta

Entrou no quarto e trancou a porta.
Se escorou, e a parede a ajudou a segurar o peso que estava em seus ombros.

A bolsa, que ainda não havia largado, guardava o peso maior do que acabara de cometer, de dentro dela algo muito forte e doloroso saía, um cheiro enjoativo do qual ela tinha há pouco se familiarizado.

-Quanto sangue. Meu Deus...

Não sabia ao certo o que sentir, porque o vazio tomara conta dela desde o instante em que desferiu o primeiro golpe no tórax de sua vítima. Ela forçava seus braços a empurrar aquela caneta conta o lugar exato do coração que deixou de amá-la. Ele já estava morto há muito tempo, mas apareceu o impulso de ferí-lo de alguma forma.

Então, a caneta.

E depois, a vontade maior e maior de fazê-lo acordar para pedir perdão por matá-lo desse jeito. Ela não deveria, não queria, mas impulsos não pedem, não perguntam. Simplesmente acontecem. A ferocidade com que ela fez aquilo, foi tanta que  a fez desmaiar ao lado daquele corpo sem vida, desde a primeira gota de veneno.

Acordou desejando ter tido um pesadelo, mas na verdade, estava encharcada com o sangue dele.

Levantou-se num grande susto, e desde então, tem feito as coisas assustada.

Banhou-se, esfregou o corpo com o pequeno sabonete de motel, como se quisesse tirar de si a mancha da culpa do que fizera, quase arrancando a própria pele.

Se recompôs e saiu do quarto como se nada tivesse acontecido, seu disfarce era irreconhecível, uma máscara de tranquilidade assustadora, de um monstro que, segundo ela, acabara de nascer.
Expulsou as lembranças e foi limpar a caneta, lavou-a e enxugou. Junto com a água suja do ralo foi sua culpa, nada provaria que foi ela, em sua irracionalidade, ela estava livre de pagar por aquilo.

Dias se passaram.

A investigação daquela morte já estava quase encerrada porque não se sabia quem era a mulher que saíra do quarto, o disfarce era perfeito, as câmeras não revelariam a verdade.
Como de praxe, todas as pessoas próximas à vítima foram chamadas para depor. Ela também foi chamada, sua aproximação era tão óbvia, que a esposa dele já não se importava mais. Todos sabiam que ela era só uma dentre várias.

Na porta de delegacia, um tremor tomou conta de seu corpo, mas seguiu em frente. Lá dentro o delegado a fez esperar, ficou por último.
Ela se saiu tão bem, que sorria ao ver a crença do delegado em sua mentira.

- Tudo bem, minha senhora, agora só falta assinar seu depoimento. Vejo que não há nada mais que deva fazer aqui.

Pegou a caneta que o delegado deu, mas só conseguiu rabiscar a primeira letra do nome, a caneta falhou. Ninguém conseguia encontrar outra caneta, então ela abriu a bolsa e pegou uma caixinha oval revestida com um veludo preto. Ali jazia uma certa caneta, da qual ela não ousava se livrar. Um golpe de reflexo a fez pegá-la sem pensar em mais nada, como se ela realmente não tivesse feito nada com a caneta.
Mas esta também falhou e, o delegado se ofereceu para consertar a caneta pois, segundo ele, já tinha tido uma igual.

No mesmo instante, ela lembrou-se do medo de ser reconhecida como assassina, e empalideceu. Entregou a arma, e o que a incriminava estava nas mãos dele.
O delegado sem notar, abria a caneta explicando:

- Eu já tive uma dessa; cara não é? O problema...

Dentro dela se revelou a culpa. Um pequeno aglomerado de sangue coagulado estava preso na caneta.
O delegado reconhecia sangue em todas as suas formas e reconheceu também a mentira. Juntou peças e o quebra cabeças se completou.

Ela sentiu o gosto da morte naquele naquele instante.

7.3.10

Copia de mim

Quem sabe quando eu tomar coragem e encarar o escuro, haverá alguém lá sentado no escuro esperando para conversar comigo.
E aí ele me ouviria e me ajudaria a mudar.
Mas isso parece tão impossível quanto desafiar meu medo de altura.
Queria que houvesse alguém ou algo que não me deixasse sentir quando uma mágoa viesse andando e parasse do meu lado.
Ele talvez poderia ser Deus disfarçado de homem, pra pelo menos, me dar alguns conselhos. Pois não quero respostas à perguntas muito difíceis, nem quero mágica, só quero alguém que possa ser uma cama de plumas para minhas quedas.
Não consigo me adaptar à dificuldade que eu tenho em viver neste mundo, percebi o quanto sinto doer quando não posso revidar coisas. Dói engolir as raivas e as tristezas, principalmente quando vejo que elas são causadas por motivos injustos.
Nem sempre a dor que sinto é sentimental.Algo dói dentro do meu peito, dói de verdade, mas sei que não há nenhuma doença.
Talvez essa pessoa poderia ser eu mesma, cópia de mim, ou melhor, poderia ser uma divisão. Só uma parte ficaria em mim, a outra ficaria na segunda eu. Então eu poderia sentir alguém me completar.
Então, se a eu magoasse ou entristecesse, todas essas coisas seriam inválidas, porque seriam comigo mesma.
Todos os segredos, alegrias e tristezas também, sempre eu teria com quem dividir, e ao mesmo tempo todos ficariam guardados comigo.
Seria muito mais fácil lidar com a vida.
Seria menos triste essa coisa de viver.

22.11.09

Você não sabe...

Será que você sabe que eu estou aqui tão longe de você, ouvindo sua voz que canta e não é só pra mim?
Será que você ouviria meus suspiros se eu estivesse agora ao seu lado olhando o seu rosto?


And what would you say if I lie at your side and stay looking only you sleeping, and feel your breath?
I just wanted to know if you would fall in love for me...
Because everytime I see you and listen you, it looks like I want to die to born again.
But, that's fine, 'cause I'm like this.
I'm a dreamer, living in dreams of infinity happiness.
And, who knows if someday we'll find each other?
I'll dream in a reality.
It will be like the first birthday party I've never had. We'll sing, we'll dance, and I will ask you to play your music to me forver.
You will answer yes, and you will kiss me. And I will sleep to come back to my real life...

Será que um dia você vai entender quem eu sou e vai virar meu príncipe...?
Ou será que eu vou acordar do sonho iluminado?

12.9.09

Meu mundo


Sou uma pessoa tão fora deste mundo...


Vivo a maior parte do tempo perdida no meu mundo


tentando me fazer feliz com qualquer coisa.


Nele esqueço a maioria das coisas que são importantes para viver


e fazer com que o resto do mundo saiba da minha existência


ou pelo menos, onde eu passo a maior parte do tempo.


Quando retorno ao mundo da maioria,


tenho surpresas que não consigo criar em mim no meu mundo.


Só o Pequeno Príncipe saberia do que estou falando agora.


Mas as surpresas nem sempre são boas


e quando uma das tristezas me atinge,


a gravidade do meu mundo me puxa de volta e fico longe por um bom tempo.


Um dia eu gostaria de trazer, de verdade, o meu mundo.


Mostrar numa tela gigante


tudo o que me faz viver tanto tempo fora deste mundo.


E tenho certeza, que se fizesse isso, não seria a única.

7.8.09

Saco cheio

Não quero mais nunca viver
ou pelo menos a sensação
de que tenho uma vida pra cuidar.
Não quero saber de mim mesma
sabendo que muitos
so querem o bem de si próprios.

Estou de saco cheio de querer crescer
porque as pessoas que crescem
não querem ver as outras
chegarem ao mesmo nível.

Cansei de ouvir
todas as mesmas palavras idiotas
essas regras que todos me dão
mas que são
as impraticáveis teorias
do comportamento correto.

E pra quem pensa que sou rebelde,
sem vergonha ou atrevida,
antes fosse eu ser assim.
Sei que esses agem e encaram
as consequências de um "fui eu".

Sou fraca.
Não covarde, porque os covardes
logo se safam dizendo "eu não!!"
Eu como fraca nem digo nada,
nem faço nada, só obedeço
as ordens mesquinhas
que me são dadas.

Tenho muitas saudades
do tempo em que o mundo era só
o lugar que eu vivia.
Agora entendi que o mundo é
um grande ringue,
e que a vida é uma eterna briga.

16.7.09

Remember the world - Pensando muito


Acho que penso tanto em você
que em algum ponto do espaço/tempo,
isso se reverte em confusão
e algo bloqueia sua vontade
de pensar em mim também.

E no nosso mundo,
porque ele é meu e seu, logo, é nosso.

Fica alguém que,
de tanto lembrar da sua metade
(sabe? a outra banda da maçã
ou outro pólo do planeta)
e não ser lembrado do jeito que gostaria,
se deu conta, tristemente,
que pensa pelos dois.

E não vai ser lembrada tão cedo,
se não for colocar na cabecinha da outra metade
que deve lembrar dela sempre.

Mas, enquanto não pode fazer isto,
(porque você sumiu do mapa)
fica se perguntando
se ela ainda vive dentro do lugar
onde você guarda as pessoas que ama.

Vive?

2.7.09

Um retrato guardado. Relato de quem viveu.


Ele tinha namoradas e amigas,
vivia normalmente e amava normalmente.
Estava com um casamento em vista.
Mas encontrou um amor longe,
que lhe fez viajar para longe também da idéia de casar.

Foi atrás desse amor distante
e quando se distanciou demais
encontrou outro amor que estava bem perto,
mas não era um amor seu, o amor era dela.

Se entregou aos dois amores,
o que ele queria e estava longe
e o que o queria e estava por perto.

Mas, dois amores não podem ocupar o mesmo coração ao mesmo tempo.
Os dois corações
estavam tão apertados dentro do dele,
que se magoaram.

E ao contrário do que se pensa,
os dois ao invés de desistirem lutaram.
E a luta doeu, e magoou mais ainda.

Dos dois corações, o que dava amor não tinha mais forças
porque não era amado.
Então desistiu.
O outro coração que venceu a luta
acabou perdendo pelos seus próprios méritos.

No final,
ele ficou só, acompanhado de sua carência e solidão.
Na verdade o fim desta história ainda está longe de acabar.
Porque agora,
ele quem luta para que sua solidão não o acompanhe sempre.

28.6.09

Festas Juninas em preto, branco e cores desbotadas...



Chega o início de junho...

-Hum! Esse mês vai ter festa em todo canto!
Primeiro no dia de Santo Antônio, claro né?! Tem que fazer uma festinha pro santo...
Depois a do meu aniversário...
E então o São João e o São Pedro!

Esse é só o primeiro dia, de todos os que ela ainda vai planejar, cada um com calma para que nada dê errado. As primeiras semanas se passam e chega o dia 13, dia de Santo Antônio...

- Vamo sair né galera?!

-Eu num posso... estou sem grana...
-Eu vou sair com MEU NAMORADO!

-Eu ODEIO festa junina.

-Sei não... acho que não vai ter graça. Se a galera num for eu também não vou.


-Ok... Tudo bem então...
Ela sai com a mão no bolso, dá uma volta e segue para casa dormir. Alguns dias depois, precisamente na véspera do seu aniversário, mais uam tentativa. Agora por telefone.

Telefonema 1
-Ah, hoje não tem desculpa né? É meu aniversário poxa! Você vai, nem que eu tenha que te empurrar até lá.

-Tá bem... Mas eu não posso passar muito tempo lá. Só vou pra te dar uma abraço viu?

-ÊÊÊÊ!! Que bom!

Telefonema 2
- E aí vamo? Por favor vai?!

-Ok... Ok... Mas meu amorzinho vai tá?

-Tá bommmm...(animação sarcástica)

Telefonema 3
-Quero você lá viu?

-E quem vai?

-Fulana e o namorado... -Cicrano...

-E seu namorado?

-Tá doente
-Ok então. Contanto que eu não segure vela...

-Não você não vai. Prometo...
Telefonema 4

-Você vai né? Pelo menos você cara...!

- O namorado de Fulana vai?

- ... vai ...

-Desculpa mas num vai dar pra ir, você sabe que eu não engulo aquele cara.

-Ok então, é uma pena você não ir...

Alguns dias depois, antes do São João.

- E ai? como vai ser o feriado?

- Vamos trabalhar na véspera.

-Poxa..

Mas mesmo assim ela não desistiu e chamou, ou melhor, tentou chamar a galera.

Telefonema 1

-"O número que você ligou está fora de área ou desligado"

Telefonema 2

-Triiiiiiiiiiim! Triiiiiiiiiiiiiiiiim! Triiiiiiiiiiiiiiiiim! Triiiiiiiiiiiiiiiiim! Triiiiiiiiiiiiiiiiim! Triiiiiiiiiiiiiiiiim! Triiiiiiiiiiiiiiiiim! Triiiiiiiiiiiiiiiiim! Triiiiiiiiiiiiiiiiim! Triiiiiiiiiiiiiiiiim! Triiiiiiiiiiiiiiiiim!Triiiiiiiiiiiiiiiiim! Triiiiiiiiii.... TU TU TU TU TU TU....

Telefonema 3


- Rapaiz acordei agora, trabalhei até as duas da manhã...

- Mas e aí? Vamo ou não vamo?! Mas olhe que vai ser uma festa divertida lá no centro!

- Num sei, quem vai?

- ...

- Não vai ser animado. Vou não.

- Ok então.

Passou o dia todo trancada no quarto, descabelada jogando no computador.

Então chegamos no dia 29, o último dia festivo de junho.

-...
-É, ninguém pra sair. Vou terminar de jogar Super Mário, quem sabe eu não termino a fase 95...

Ela zerou o jogo.

18.5.09

Busca


Na busca incessante por nosso lugar no espaço andamos muitos caminhos dos quais nem imaginaríamos precorrer. Nos sentimos até perdidos algumas vezes, sem saber se, de fato, vamos conseguir o que queremos.

Mergulhamos nas águas turvas da incerteza, vamos nos deixando levar pela correnteza sem saber onde é a queda d'água mais próxima.


Mas conheço pessoas que nadam contra a correnteza dizendo "
meu caminho quem faz sou eu", e vejo a maioria sendo carregada depois pela água, impedidos de nadar mais por cãimbras, contusões ou algumas outras coisas que os mostraram que na vida agente deve ir com calma.

Dar passos no escuro não significa que não temos certeza do que queremos. Não siginifica que somos fracos ou covardes.


Ao contrário de tudo o que se pensa, também, ficar parado não é um erro. Esperar a hora certa de agir é tão sábio quanto se apostar sua única ficha em algo incerto. É tão corajoso quanto.


Porque na vida, a maioria das coisas que fazemos são erros, dos quais nos arrependemos apenas.

Nunca pensamos nesses erros como lições, nunca pensamos que deles nós tiraremos o aprendizado de como executar tal coisa de uma maneira diferente, ou pelo menos não da maneira errada que fizemos da primeira vez.

Poderemos até errar de novo, mas vamos entender aos poucos como se age, sente, vive.


E, na nossa busca, teremos aos poucos um registro de nossa coragem de tentar buscar na vida um sentido pra se ter prazer em viver.

8.5.09

Besoin de l'instant


Se num abraço as pessoas esquecem que estão tristes
eu gostaria de esquecer que tenho medo de viver só.

Queria depois de estar com o coração cansado de se desiludir
um abraço para esquecer que a vida não é uma ilusão boa.

Seria pra mim como se eu conseguisse levitar
depois de ter enchido meu corpo de terra.

Gostaria de sentir o sentimento e sentir mais ainda.
E quando ele estivesse cansado de ser sentido
pedisse que eu o sentisse ainda mais.

Que ele me dissesse:
- Meu amor, estou aqui.
Eu não hesitaria em sorrir
nem esqueceria de derramar minhas lágrimas.

Sei que ele iria estar cheio de meus problemas,
mas acho que comigo ele iria esquecer até os dele.

Eu o levaria aos poucos pro meu mundo
e de vez em quando eu iria pedir para entrar no dele.

E então não haveria decepção nem tristeza,
e se houvesse, agente iria se explicar
agente iria tentar ser o mais surreal possível
pra tentar amenizar certas dores.

Não teríamos medo de entrar num conto de fadas,
nem de sair dele.
Simplesmente viveríamos momentos
desligando o raciocínio
e todas as outras coisas que nos impedisse de sentir.

Não descutiríamos pelos erros,
nós só lembraríamos deles
para que eles sejam reconhecidos antes de passar por nós.

E o mais importante:
Ele me daria a mão
e perceberia que eu preciso dele,
sem que houvesse necessidade
de que saíssem lágimas dos meus olhos.

6.5.09

Por aí


Eu vivo doida por aí
num mundo onde há vários loucos como eu
Jovens que são mais românticos que um poeta
Maníacos pela alegria e o amor
Não se assuste,
pois eu nao me assusto com isso.

Nós saímos nas ruas
Nós agimos como se o mundo fosse um picadeiro
Mas, não só fazemos palhaçadas
não só fazemos rir
Nós fazemos medos a nós mesmos,de vez em quando
Também fugimos dos medos, de vez em quando.

Nos afogamos em cervejas e bebidas
Cigarros e pós
Ou nem sempre nos fabricados
Nos afogamos nos corpos uns dos outros
No nosso próprio suor

A vida à vezes começa só à noite
Quando nós realmente dançamos e nos divertimos
Voamos de nossas casas e até de nossas cidades
Para alcançar sei-lá-o-quê em algum lugar


E no final é só o dia amanhecendo
E no final o mundo volta ao normal
Buscamos de volta o que ficou no caminho
Nos banhamos e colocamos mochilas nas costas
Para enchê-las de conhecimento durante o dia
E esvaziá-las com loucura durante a noite

29.4.09

Flor solitária


A tarde está caindo neste momento,
as cores de todas as coisas estão mais vivas do que no começo do dia.
O céu azul se mistura com a torre cinzenta de nuvens concentadas em algumas partes lá no alto.
O vento, não querendo estragar o momento,
passa pelo meu rosto como se fosse um beijo delicado,
como se pegasse com as duas mãos em meu rosto e me acariciasse.
Vai e vem como o mar
lavando meus sentimentos tristes que se encontram na flor da minha pele.
E minha pele desabrocha todas as vezes que o vento passa por mim.
Quando o sol se expõe saindo de trás de alguma nuvem,
se mostra em forma de desenhos e relfete em mim através das árvores.
Não esquenta mais, por ser quase noite,
mas atenua a cor da minha alegria de participar de tal cenário.
Eu, sentada na calçada, encostada no muro,
ouço minha música, deixando minha alma absorver a serenidade
e cada gota da pureza daquele momento.
Exalando o amor e a indecisão de quem vive.
Me sinto uma flor em meio à tarde solitária,
onde o desejo de ter meu amor ao lado
me faz aproveitar a companhia do amor que eu não sei onde está.
Só sei que esse amor se encontra perto de mim,
fazendo parte deste cenário de fim de tarde azul.

27.4.09

Barco Sem Vela - O Amor perdido no Mar.



Era um jogo no Mar, onde a solidão e as ondas brigavam para ver quem era maior.
Esperava até a hora de voltar,
como quem quisesse aprender que tudo tem sua hora, não só na teoria.
Ele tinha que praticar a paciência, tinha que fugir daquilo.
A maior dificuldade nisso tudo era que sabia de sua fraqueza,
de seu minúsculo tamanho comparado a suas vontades,
ao de sua vontade naquela hora.
Ou de sua fragilidade em relação a qualquer evento que ocorresse ali no Mar,
que - Meu Deus do Céu! - era imenso.
Pensou que gostaria de estar ao lado dela agora,
ela que, para ele, era uma sereia.

- ENTÃO DEVE TER SIDO POR ISSO QUEU VIM PRO MAR,
PRA MIM SENTÍ UM BUCADINHO MAIS PERTO DELA MEU DEUS.
PRA NUM SOFRÊ TANTO DESSA DÔ,
QUE AQUELA MULHÉ PLANTÔ NO MEU CORAÇÃO.
FICANO LONGE E PERTO AO MERMO TEMPO,
SEM TÊ NINGUEIM PRA CENSURÁ NOIS DOIS,
EU E A SEREIA.
PRO MAR LEVÁ IMBORA ESSA MINHA DÔ
PRO MAR TIRÁ ELA DE MIM E FICÁ COM ELA SÓ PRA ELE.

Um pescador perdido por falta de rumo e por uma mulher também.
Ele se achava assim toda vez que a via. Sentia mal por isso.

- PORQUE O AMOR TIRA AGENTE DO RUMO,
DO PRUMO E LEVA AGENTE PRO PARAÍSO.
ESSE AMOR QUE EU SINTO, NÃO.
ELE ME TIRA DE QUALQUER CAMINHO E EU FICO SEM SABÊ VOLTÁ.

Não aguentava mais a solidão que crescia ali,
mas também não podia voltar. Pois, se voltasse, se precipitaria
e não conseguiria mais domar a mais forte de suas vontades.
Então ele entendeu como deveria agir.
Porque uma mulher era o que lhe impulsionava a agir assim
e uma mulher seria, de toda forma, a causa de seu fim.
O Mar em que se refugiou o engoliria a qualquer momento.
Se escondeu pensando que teria na solidão a cura para a falta de sentidos
que um amor proibido lhe causou.
Um amor feito de desejo, do desejo. Esse tal que enlouquece.
O mal, que ele até então não conseguia derrotar,
vai morrer porque o Mar lhe dará pelo menos uma chance, uma vitória.
Ali onde estão o fim de suas dores e desejos, estará também o fim de sua vida.

9.4.09

A música, o amor.


Começa assim...
Eu me sinto solta
então os pedacinhos vão se juntando bem devagar
como se a cola viesse com a voz de um cantor melancólico.
Daí en diante eu vou começando a me levantar
eu consigo ouvir alguma coisa,
consigo ouvir a voz, consigo ouvir o som.
Eu levanto.
Num giro, vejo minha cabeça se erguer
num salto vejo minhas pernas voarem.
Sou agora parte de uma música.
O cantor bate palmas
e eu bato também.
Um pequeno grave melancólico sai novamente de sua voz
e uma lágrima sai dos meus olhos.
Sinto a alma do cantor na música
sinto minha alma voar para perto da dele.
Começo a dançar
a rodar.
A felicidade toma conta de meu corpo
a música me faz encher a alma de uma valsa incontrolável.
Então eu valso.
Valso, e valso, e sinto os sussuros do cantor no meu ouvido a ressonar as últimas palavras da letra.
Arrepio.
Ele diz que vai e eu tenho que ir junto.
Ele estica os dedos e eu pego em sua mão,
vamos agora meu amor, deixa a vida continuar.
Vamos agora andar na beira do mar,
até a vida de nós se cansar.

9.3.09

Janis Joplin - Summertime

De todas as músicas, essa é a que me faz achar os contos perdidos na minha mente...

23.2.09

Mediadora de briga


-Hija vá dizer ao su padre que faça isso agora!

-Si mamá...

-Hija, diga a tu madre que no estoy con um pingo de vontade de hacer o que ela me manda.

-Si papá...

-No me diga! Porque ele no quier hacer o que lhe mando?

-Yo no sei mamá...

-Diga a ele que estoy mui raivosa con ele! Mandes ele deixar de ser preguiçoso!

-Si mamá...

-O que é? No creo no que me dices! Ela está louca? Pois diga àquela louca que eu não sou preguiçoso! E que se quiser faça ela mesma.

-Si papá...

-No me diga! O que aquele porco preguiçoso disse a ti?! Pois então diga a ele que yo no tenho vontade de passar nem de lavar, nem de cozinhar e nem de dormir ao lado dele!!!

-Si mamá...

-Mui bueno! Que ela faça o que quiser! ESTA MUJER LOCA!! YO NO LIGO!!! Agora vá chica! Saia da sala que su padre está a assistir o noticiário...

-Si papá...


-Safado! (jogando o copo de vidro no chão) PREGUIÇOSO! CACHORRO!

-Ahhhhhh!(la madre sai chorando e bate a porta do quarto) Que vida maldita Dios mio!!!!!

-Buenas noches mamá... Buenas noches papá...

18.2.09

Talvez


Se eu pudesse escolher um fim para todas as minhas dores

e um caminho para todos os meus passos,

talvez eu escolheria ir até o fim do arco-íris e encontrar um tesouro.


Talvez eu escolha viver uma vida cheia de alegria,

talvez eu escolha amar imensamente,

talvez eu escolha o que a vida escolher.


Nunca se sabe o que se pode acontecer,

escolhemos coisas nas nossas vidas,

mas isso pode ser apenas uma vontade,

porque a vida faz com que nós estejamos sempre sujeitos a um talvez.


Imagina se todas as pessoas realizassem seus desejos,

todos seriam grandes, todos seriam felizes... Ou não?


Não há conto ou vontade que possa se realizar se a vida não quiser,

e nós somos um pacote de vontades, cheio de alegrias e expectativas.


Temos até caminhos para escolher,

mas nossos desejos são só plantinhas regadas pela vida.


Num dia de sol, ela vem e pode queimar as folhinhas da planta,

num dia de chuva, pode rega-la, e no final só o tempo quem irá nos responder

se a vida quis ou não nos deixar realizar nossos desejos.


E, se não, a própria vida vem nos colocar para dormir de tanto chorarmos.

Ela sempre tem uma canção de ninar para que nós comecemos a dormir e sonhar novos sonhos,

que ela um dia, com pena, irá deixar com que realizemos.

10.2.09

A Colombina e seus carnavais

Todos os carnavais ela se pinta, e vai dançar na rua a folia de ser mais uma no meio de uma multidão louca, sedenta de alegria, dança e música.

Ela se pinta pra esconder que em seu rosto há uma expressão de desagrado e tristeza causada pela dor de cotovelo que a acompanha em todos os carnavais.

Acompanhada da dor, ela sobe no ônibus e vai, com seus tênis All Star falsiê, até o lugar onde estão alguns amigos, amigos de amigos e amigos dos amigos dos amigos. Todos que, até o fim da noite, se tornarão seus amigos.

É sempre assim: Maquiagem, dor de cotovelo, All Star... Todos os anos.

Mas falta citar que também há sempre um cara que ela escolhe, cada carnaval, no meio da festa, não para afastar a sua dor de cotovelo. Não... Esta não precisa de remédio, já foi afastada pela maquiagem.

Ela escolhe um homem, pra chamar de seu, alguém para acompanhá-la num frevo, para fazê-la se sentir a rainha da bateria quando houver um samba ou até para agarrá-la quando um forró deslocado aparecer na mala de uma carro para encrementar a brasilidade do carnaval.

Esse homem não precisa ser ninguém demais, não precisa ser ninguém igual ao Pierrô, basta só ser alguém.

Alguém que a beije até o fim da noite.

E que traga aquela coisa de felicidade banal, aquela felicidade que dure pelo menos até o fim do carnaval.

8.2.09

Confissões a nível de divã 1


-Pode falar, estou ouvindo.

-Nunca sei o que dizer.

-Então comece pelo que sente.

-Meu maior medo é esse... Sempre há falhas ou palavras repetidas, ou pior, não sei agir. Não penso e ajo.

-Esta é uma boa hora de pensar e agir, comece me dizendo como você faria.

-Acabo errando, acho que neste momento estou errada.
-Não, Você não está errada, faça do jeito que você tanto realiza, ande.

-Não sei... Posso estragar algo que amo para sempre. Essa coisa de ser errada sempre fez parte de mim. Essa coisa de ter medo sempre fez parte de mim. Sempre penso em mudar, me obrigo a isso, mas quando chega a hora, eu mesma paro.
-Acha mesmo que mudar é a solução? Seja você mesma.

-Só queria ser boa em algo, poder me orgulhar de mim.

-Deixe seus sentimentos te guiarem, eles vão te dizaer como agir certo, siga seu coração.

-Não sei se devo. Até quando eu estou demonstrando um sentimento, parece ser falso, porque não consigo fazê-lo certo.
-Não é falso, é apenas insegurança.

-É essa é a palavra certa... INSEGURANÇA! Sei que é, sabe por que? Não sei falar, não sei agir, nem sei me impor, nem o jeito certo de me expor.

-Muito bem! Então, o que você me diz?
Ainda não cresci.