Se num abraço as pessoas esquecem que estão tristes eu gostaria de esquecer que tenho medo de viver só.
Queria depois de estar com o coração cansado de se desiludir um abraço para esquecer que a vida não é uma ilusão boa.
Seria pra mim como se eu conseguisse levitar depois de ter enchido meu corpo de terra.
Gostaria de sentir o sentimento e sentir mais ainda. E quando ele estivesse cansado de ser sentido pedisse que eu o sentisse ainda mais.
Que ele me dissesse: - Meu amor, estou aqui. Eu não hesitaria em sorrir nem esqueceria de derramar minhas lágrimas.
Sei que ele iria estar cheio de meus problemas, mas acho que comigo ele iria esquecer até os dele.
Eu o levaria aos poucos pro meu mundo e de vez em quando eu iria pedir para entrar no dele.
E então não haveria decepção nem tristeza, e se houvesse, agente iria se explicar agente iria tentar ser o mais surreal possível pra tentar amenizar certas dores.
Não teríamos medo de entrar num conto de fadas, nem de sair dele. Simplesmente viveríamos momentos desligando o raciocínio e todas as outras coisas que nos impedisse de sentir.
Não descutiríamos pelos erros, nós só lembraríamos deles para que eles sejam reconhecidos antes de passar por nós.
E o mais importante: Ele me daria a mão e perceberia que eu preciso dele, sem que houvesse necessidade de que saíssem lágimas dos meus olhos.
Eu vivo doida por aí num mundo onde há vários loucos como eu Jovens que são mais românticos que um poeta Maníacos pela alegria e o amor Não se assuste, pois eu nao me assusto com isso.
Nós saímos nas ruas Nós agimos como se o mundo fosse um picadeiro Mas, não só fazemos palhaçadas não só fazemos rir Nós fazemos medos a nós mesmos,de vez em quando Também fugimos dos medos, de vez em quando.
Nos afogamos em cervejas e bebidas Cigarros e pós Ou nem sempre nos fabricados Nos afogamos nos corpos uns dos outros No nosso próprio suor
A vida à vezes começa só à noite Quando nós realmente dançamos e nos divertimos Voamos de nossas casas e até de nossas cidades Para alcançar sei-lá-o-quê em algum lugar
E no final é só o dia amanhecendo E no final o mundo volta ao normal Buscamos de volta o que ficou no caminho Nos banhamos e colocamos mochilas nas costas Para enchê-las de conhecimento durante o dia E esvaziá-las com loucura durante a noite
A tarde está caindo neste momento, as cores de todas as coisas estão mais vivas do que no começo do dia. O céu azul se mistura com a torre cinzenta de nuvens concentadas em algumas partes lá no alto. O vento, não querendo estragar o momento, passa pelo meu rosto como se fosse um beijo delicado, como se pegasse com as duas mãos em meu rosto e me acariciasse. Vai e vem como o mar lavando meus sentimentos tristes que se encontram na flor da minha pele. E minha pele desabrocha todas as vezes que o vento passa por mim. Quando o sol se expõe saindo de trás de alguma nuvem, se mostra em forma de desenhos e relfete em mim através das árvores. Não esquenta mais, por ser quase noite, mas atenua a cor da minha alegria de participar de tal cenário. Eu, sentada na calçada, encostada no muro, ouço minha música, deixando minha alma absorver a serenidade e cada gota da pureza daquele momento. Exalando o amor e a indecisão de quem vive. Me sinto uma flor em meio à tarde solitária, onde o desejo de ter meu amor ao lado me faz aproveitar a companhia do amor que eu não sei onde está. Só sei que esse amor se encontra perto de mim, fazendo parte deste cenário de fim de tarde azul.
Começa assim... Eu me sinto solta então os pedacinhos vão se juntando bem devagar como se a cola viesse com a voz de um cantor melancólico. Daí en diante eu vou começando a me levantar eu consigo ouvir alguma coisa, consigo ouvir a voz, consigo ouvir o som. Eu levanto. Num giro, vejo minha cabeça se erguer num salto vejo minhas pernas voarem. Sou agora parte de uma música. O cantor bate palmas e eu bato também. Um pequeno grave melancólico sai novamente de sua voz e uma lágrima sai dos meus olhos. Sinto a alma do cantor na música sinto minha alma voar para perto da dele. Começo a dançar a rodar. A felicidade toma conta de meu corpo a música me faz encher a alma de uma valsa incontrolável. Então eu valso. Valso, e valso, e sinto os sussuros do cantor no meu ouvido a ressonar as últimas palavras da letra. Arrepio. Ele diz que vai e eu tenho que ir junto. Ele estica os dedos e eu pego em sua mão, vamos agora meu amor, deixa a vida continuar. Vamos agora andar na beira do mar, até a vida de nós se cansar.
-Hija, diga a tu madre que no estoy con um pingo de vontade de hacer o que ela me manda.
-Si papá...
-No me diga! Porque ele no quier hacer o que lhe mando?
-Yo no sei mamá...
-Diga a ele que estoy mui raivosa con ele! Mandes ele deixar de ser preguiçoso!
-Si mamá...
-O que é? No creo no que me dices! Ela está louca? Pois diga àquela louca que eu não sou preguiçoso! E que se quiser faça ela mesma.
-Si papá...
-No me diga! O que aquele porco preguiçoso disse a ti?! Pois então diga a ele que yo no tenho vontade de passar nem de lavar, nem de cozinhar e nem de dormir ao lado dele!!!
-Si mamá...
-Mui bueno! Que ela faça o que quiser! ESTA MUJER LOCA!! YO NO LIGO!!! Agora vá chica! Saia da sala que su padre está a assistir o noticiário...
-Si papá...
-Safado! (jogando o copo de vidro no chão) PREGUIÇOSO! CACHORRO!
-Ahhhhhh!(la madre sai chorando e bate a porta do quarto) Que vida maldita Dios mio!!!!!
Todos os carnavais ela se pinta, e vai dançar na rua a folia de ser mais uma no meio de uma multidão louca, sedenta de alegria, dança e música.
Ela se pinta pra esconder que em seu rosto há uma expressão de desagrado e tristeza causada pela dor de cotovelo que a acompanha em todos os carnavais.
Acompanhada da dor, ela sobe no ônibus e vai, com seus tênis All Star falsiê, até o lugar onde estão alguns amigos, amigos de amigos e amigos dos amigos dos amigos. Todos que, até o fim da noite, se tornarão seus amigos.
É sempre assim: Maquiagem, dor de cotovelo, All Star... Todos os anos.
Mas falta citar que também há sempre um cara que ela escolhe, cada carnaval, no meio da festa, não para afastar a sua dor de cotovelo. Não... Esta não precisa de remédio, já foi afastada pela maquiagem.
Ela escolhe um homem, pra chamar de seu, alguém para acompanhá-la num frevo, para fazê-la se sentir a rainha da bateria quando houver um samba ou até para agarrá-la quando um forró deslocado aparecer na mala de uma carro para encrementar a brasilidade do carnaval.
Esse homem não precisa ser ninguém demais, não precisa ser ninguém igual ao Pierrô, basta só ser alguém.
Alguém que a beije até o fim da noite.
E que traga aquela coisa de felicidade banal, aquela felicidade que dure pelo menos até o fim do carnaval.
-Meu maior medo é esse...Sempre há falhas ou palavras repetidas, ou pior, não sei agir. Não penso e ajo.
-Esta é uma boa hora de pensar e agir, comece me dizendo como você faria.
-Acabo errando, acho que neste momento estou errada. -Não, Você não está errada, faça do jeito que você tanto realiza, ande.
-Não sei... Posso estragar algo que amo para sempre.Essa coisa de ser errada sempre fez parte de mim.Essa coisa de ter medo sempre fez parte de mim.Sempre penso em mudar, me obrigo a isso, mas quando chega a hora, eu mesma paro. -Acha mesmo que mudar é a solução? Seja você mesma.
-Só queria ser boa em algo, poder me orgulhar de mim.
-Deixe seus sentimentos te guiarem, eles vão te dizaer como agir certo, siga seu coração.
-Não sei se devo. Até quando eu estou demonstrando um sentimento, parece ser falso, porque não consigo fazê-lo certo. -Não é falso, é apenas insegurança.
-É essa é a palavra certa... INSEGURANÇA!Sei que é, sabe por que?Não sei falar, não sei agir, nem sei me impor, nem o jeito certo de me expor.
-Muito bem!Então, o que você me diz? Ainda não cresci.
Olhar meus dentes não é nada comparado a ver seu rosto branco com seus olhos verdes cravados nele.
Seu olhar confuso de quando te vejo de cima, seu olhar decidido quando me encara.
Na minha vida, evitei encarar todos os meus amores para esquecer seus rostos facilmente, e consegui.
Será que seu rosto, seus olhos, seu olhar, vão se atrever a sair da minha vida um dia?
E você irá se atrever a estar comigo para sempre?
Seu jeito diferente de pensar, pensa o que de mim?
Seu jeito diferente de sentir, sente o que por mim?
Porquê você nunca diz que me ama? Talvez porquê nunca, antes de mim, ouviu "eu te amo"... E agora que ouve, e se quiser ouve toda hora, porquê não responde?
Ou talvez seja porque não sente isso...
Acho que tantas perguntas devem ser como um abuso à sua intimidade tão bem guardada, sua forma de pensar que você oculta.
Não tenha medo de me mostrar quem realmente é. Não vou te deixar por isso, não quero perder você.
Porque não há nada comparado a ver seu rosto branco com seus olhos verdes cravados nele.
Há uma imitação das características da sociedade terráquia, mas muito pouco usadas por mim, que sou extraterrestre.
Por exemplo, aqui na Terra, as pessoas têm seus pensamentos e lembranças, todos, dentro de suas cabeças.
Eu já me peguei pensando em cima de uma cadeira, numa pia, em 2 olhos, em um amor, em uma dor...
Mas nunca dentro de minha cabeça.
Tenho que guardar nomes em papéis, porque se colocá-los em minha cabeça, eles voam com o primeiro vento.
Meus pensamentos (que as vezes nem cabem na minha cabeça) se tornam tão maiores que eu, ao ponto de me darem a mão e me colocam nas costas para conhecer meu verdadeiro planeta.
Já fui deste planeta, já consegui me relacionar com as pessoas.
Agora, esqueci onde e quando colocar as palavras da língua terrestre e até mesmo sorrisos e seriedade.
Pelo menos, para não me mostrar tão estranho, me oculto atrás de fones de ouvido ou de um livro, na maoiria das vezes sabendo tudo o que se passa ao meu redor.
Ou então, simplesmente não me escondo, subo nas costas de um dos meus pensamentos e vou brincar de cavalinho no meu mundo
Um dia que passa tão rápido, é injusto por ter ido logo.
No começo agente acha que é sonho, demora a se acostumar e fica com uma alegria enorme e confusa.
As horas vão se passando, e finalmente, agente aceita e, de tão feliz, esquece de não se acostumar(pois é somente por um dia), se sentindo numa espécie de paraíso.
E aí, a Lua Cheia chega, anoitece, e o dia está começando a ir embora, e os momentos vão junto, todos juntos...
Só ficam as lembranças e a dor da rasteira que agente leva para largar as coisas boas.
Não sei se fui feita para ficar só, para ser sozinha.
Não sei também se o que eu considero estar só é realmente solidão.
Muitas vezes eu sinto o vazio de quem não tem uma companhia ao lado, mesmo tendo várias pessoas ao meu redor...
Nas vezes em que parece haver uma multiplicação dos pares, todas pessoas sorriem para alguém ao lado, todos conversam e dividem idéias ou apenas simpatia. Eu divido comigo mesma todas as idéias, sorrisos e simpatias.
Divido ao meio uma alegria que fica com a outra metade perdida, em algum lugar onde eu mesma me perco às vezes.
Não sei onde ficam e nem para onde vão todas as outras metades das coisas em minha vida. Elas todas estão soltas por aí.
Pelo menos aprendi que posso ocupar 2 lugares. Consigo estar comigo ao invés de me sentir só.
No meu lado, me sinto uma tagarela falando comigo os segredos que não podem ser divididos com ninguém mais.
Não gosto.
Mas o que parece, é que fui feita para ser minha companheira...
Tava olhando algumas das coisas que deixaram minha vida no ano passado.
Foram coisas importantíssimas, das quais tenho mais que lembranças dentro de mim, tenho o cheiro, o gosto, o calor. Elas são como um cristalzinho que o Sol deixou cair todos os dias em que nasceu.
Delas eu sinto saudade. Lembro e pareço ainda vivê-las. Mesmo tendo uma distância muito grande entre mim e elas, fecho os olhos e as vejo passando por mim como uma rotina inacabada, uma rotina que ainda vai fazer parte da minha vida por muito tempo.
Isso tudo me é tão confuso que, no fundo, a incerteza fica dentro de mim, eu sei que elas se foram porque é natural que tenham ido, me deixaram. Mas será que eu as deixei?
Não sei. Esta é uma das muitas coisas desconhecidas para mim, não sei responder só vivo.
Aproveitando, por falar das coisas que me deixaram, não só perdi. Ganhei muitas coisas também.
Peguei tudo o que ganhei e coloquei em cima da minha cama, espalhei todas para sorrir e agradecer pelos presentes. A maioria ganho todos os dias desde o começo da minha vida, outras são presentes de 2008 mesmo.
Adoro todos eles.
Mas o presente que mais me conquistou é um par de olhos verdes.
Esses eu ganhei em frente ao Mar, trazidos pela Maresia num beijo do Vento. Desde a primeira vez que vi, soube que eram presente de Deus. Eles são bem verdes mesmo!
De dia consigo reparar nas pupilas, que de tão grandes, são quase do tamanho da íris. Na escuridão, à noite, os olhos verdes ficam incolores, transparentes que, se olhados diretamente assustam.
Mas olhando do jeito que eles me olham, eu só sinto flutuar.
Os meus olhos verdes me olham esquadrinhando meu rosto, e às vezes, me examinando com a ponta dos dedos.
É dificil não perder a concentração olhando para eles. Eu me perco da minha alma se me deixo hipnotizar por eles.
Eu os amo.
Amo tanto que sonho com eles, mesmo os tento ao meu lado à noite.
Quero tê-los para sempre comigo.
Quero tê-lo para sempre em minha vida.
Se tornaram preciosos para mim. E sei que neste ano novo os verei muito, será o começo de um par de olhos verdes em minha vida de olhos castanhos.
Levantei sentindo um peso extra da gravidade, que de grave não tem nada.
Aguda como a nota mais alta do violino ela se pôs na minha frente e a cada dois passos que eu dava pra frente ela me empurrava fazendo com que eu retrocedesse um.
O sono também me acompanhava.
Ele pequenino, um menino gorducho que diminui depois de uma "quase" noite de sono, mas não emagreceu, só ficou com suas gordurinhas mais acentuadas fazendo bolsinhas nos cantos dos meus olhos.
Pulava sentado em meus ombros, enquanto a preguiça me fazia voltar passos na caminhada até o chuveiro salvador.
Com essas condições, em minha lenta maratona dos cinco metros profundamente sonolentos, eu não aguentei e sentei no vaso sanitário.
Esse servia bem como cock-pit, para alguém que se sentia com o peso de um gigante.
Olhei para o chuveiro, vi o sol que o iluminava pela janela e entendi que ali havia uma luz salvadora.
Sentia o sono me provocar ainda mais pulando em pé nos meus ombros e a preguiça se pendurava nas minhas pálpebras todas as vezes que eu esfregava os olhos.
Olhei novamente pro chuveiro e sem nenhuma coragem a vista e me levantei com aqueles dois ainda em cima de mim.
Não fiz nenhum esforço, só me entreguei as gotas do chuveiro.
Logo me refiz, e como a preguiça é de papel e o sono tem medo de tomar banho me livrei dos dois.
Agora estou acordada, e continuo dizendo que o só o chuveiro salva agente da preguiça e do sono. Acho que vou fazer uma campanha pela canonização dele.
Mas como se diz, essas coisas acontecem quando menos se espera.
Anteontem eu acordei com um fantasma antigo, havia sonhado com O ex, e isso me fez perder um dia lembrando de momentos que eu não voltarão mais. Me fez querê-los de volta com todas as forças.
Lembrar de algo bom que passou, que morreu, nos faz esquecer do futuro.
E por uns dois dias eu fiquei perdida no passado, e travei uma batalha comigo mesma, lembrando dos meus acertos e erros e me perguntando por quê.
Isso nos faz perder muito tempo...
Me fez perder tempo.
Mas ontem, eu aprendi que a dor de amor - ou pelo menos acho- morre quando menos se espera. Quando aparece um novo amor.
Hoje eu sonho, penso, e sinto um novo amor. Ou pelo menos, uma nova paixão.
E isso é bom.
É tão bom que meu coração sente mais um alívio, sente também que está mais forte.
Já venceu aquilo tudo, e sabe que não vai mais sofrer se não der certo.
Com o a tristeza se aprende muito, mas está na hora de ser feliz.
As vezes eu odeio o simples fato de gostar de alguém. Ainda mais quando o destino faz o favor de me colocar perto dessa pessoa numa situação em que o sentimento é sentido como o cheiro de uma rosa.
No começo o perfume é forte, envolve de uma maneira carcerária os corações que já estão amolecidos e os faz pensar que estão realmente fazendo parte de um grande romance.
A embriaguez é plena, faz de um momento banal a perfeição resumida em algumas horas ou minutos, que vai deixar esse apaixonado com cheiro impregnado em sua alma por dias, ou até mesmo semanas.
E não esqueçam caros amigos, esse perfume vem de alguém que é apenas uma ilusão, alguém que não dá chance nenhuma de sonhar com o futuro a dois.
Não se sabe de onde vem, e do mesmo modo para onde vai.
Quando pisamos no chão depois de sermos carregados muito tempo pela força desse tal de amor, nos damos conta de que não há amor e de que não há chão.
Muitos desabam e se derretem em lágrimas que correm pelo mar de tristezas que acabou de se formar. Outros (como eu) já estão acostumados e quanto mais quedas levam, mais fortes se tornam, menos sofrem e dão conselhos aos outros.
Antes eu sofria demais, agora eu apenas me conformo. Lutar nessas situações só se for para se manter em pé, para se manter dura e não derreter.
Na minha cabeça vazia, os pensamentos não tem um caminho certo e eu só sigo meu caminho até o chuveiro para despertar depois do toque da água gelada.
Os pensamentos soltos não me deixam organizar muita coisa na minha cabeça, e o começo de um dia é sempre o horário mais desorientado, não saberia onde ir se o chuveiro não fosse o caminho mecânico de todas as manhãs.
Ouço vozes e músicas, desperto tentando expulsar as pessoas que estão no meu juízo "sai fulano! sai cicrano!", minha vida só no começo e já tem quem me aperreie...
O dia, um dia... No despertar da manhã sempre eu me vejo nascendo de novo, por isso minha desorientação. (acho...)
E no final, o hoje vai ser sempre o mesmo dia, com algumas coisas diferentes para que na manhã do proximo dia, minha cabeça esteja cheia de vozes, músicas e lembranças emaranhadas.
O ônibus já estava descendo a ladeira que dava acesso ao centro da cidade, o destino principal dos seus passageiros, quando o motorista começou a sentir dificuldade em fazer o veículo subir a ladeira.
Ele pensou que tivesse passado a marcha errada ou qualquer coisa sem importância, porém não havia percebido o alvoroço entre os passageiros causado por alguma coisa que se passava do lado de fora.
Olhou pela janela lateral e finalmente se deu conta do que estava acontecendo. Todos os carros e pessoas que estavam na rua começaram a flutuar e ele também, no mesmo instante em que percebeu, começou a se sentir mais leve e ver seus pés longe do chão.
No início, ele e os passageiros do ônibus e todas as coisas do lado de fora só flutuavam lentamente. Alguns assustados, outros sorrindo, todos com os olhos arregalados se olhavam e se perguntavam o que estaria acontecendo.
E o motorista sorria ao se sentir mais leve, lembrou do sonho de voar na infância, a felicidade e a liberdade de sua juventude, o amor à sua mulher... Assim todas as coisas boas da sua vida, passavam por ele, como se aquilo tudo fosse algum delírio.
Num pequeno instante ele acordou, e viu tudo sendo puxado para cima. O ônibus subia para o infinito, mas era como se estivesse caindo, desarmado e pesado. O motorista via o céu azul do dia se transformar em escuridão e o planeta azul se afastava cada vez mais mergulhado no espaço. E então tudo se apagou.
Ela andava apressada. Naquele calor do meio dia, após uma manhã inteira de aula, suava agarrada aos cadernos e o peso da mochila levava metade das forças daquela jovem magrela, bem que poderia diminuir.
Pensou em se livrar daquilo tudo, chegar logo em casa e tomar um banho, ai se não demorasse tanto...
Quando passou por dentro do túnel sentiu o alívio da sombra e da ventilação que havia ali. Mas logo percebeu que algo estranho acontecia, ela sentia alívio no peso da mochila também e em seu peso. Na verdade ela começou a se ver longe do chão. Estaria delirando pelo calor?
Ao seu redor viu que haviam outras pessoas flutuando, e que os carros também flutuavam, se deu conta então de que estava acontecendo não era loucura ou ilusão, era fato.
Era sério, real. E daí?
Ver tudo voando e voar também a divertia, ela ria daquilo tudo. Mas não sabia o que estava realmente acontecendo e isso a preocupava.
De repente, uma força a puxou e a fez cair. Mas não no chão, foi no teto do túnel que ela se viu deitada após alguns minutos de perda de consciência.
Levantou-se, e ainda tonta, foi procurar as outras pessoas que estavam todas desacordadas, viu os carros com suas rodas para cima e seus passageiros presos nas latarias amassadas.
Foi tentar acordar todos, que para ela estavam desmaiados, mas depois de muita insistência, começou a sentir medo, e viu que estavam todos mortos. Após se dar conta disso, ela se desesperou e correu para bem longe, pois o túnel era enorme, mas para onde ela ia tinha alguém que não acordava ao seu chamado e nem respirava se ela tentasse reanimar.
Duas crianças, jaziam mortas o lado de um carro cheio de pessoas que tentavam sair e ficaram presas metade do lado de fora e metade do lado de dentro.
Ao chegar do outro lado do túnel, sentou para ver aquela cena bizarra. O céu era o precipício lá embaixo, o asfalto era o teto e mais à frente ela podia ver os prédios presos no asfalto como se quisessem cair para o céu.
Incrível e ao mesmo tempo horrível. Ninguém vivo ao lado dela, pra ver aquilo tudo e chegar a alguma conclusão sobre o que aconteceu.
Deduziu que todos foram jogados no infinito, mas não conseguia entender porque só ela ficou viva.
Começou a anoitecer, e ela passou dois dias sentada naquele lugar sem que nada mudasse, às vezes chorava e pensava na sua família, não comia nem bebia nada, só observava.
Mas houve um momento em que não suportava mais a dúvida de saber o que aconteceu, e se jogou no precipício azul do céu em pleno meio-dia.
Mergulhou como se fosse cair numa piscina, e caiu em um lugar tão azul quanto, a voar de braços abertos numa subida sem volta. O Espaço se revelava, as estrelas brilhavam ainda mais, seu corpo estava em órbita como um satélite. Aquilo tudo era extraordinário. No entanto, não sabia onde iria parar.
E já estava fraca demais para continuar vendo aquela cena, queria parar, queria parar! Não parava.
Seus olhos não conseguiam mais continuar abertos, e os fechou... Apesar de não fazer esforço seu corpo começou a perder a força... E se deu conta de que iria cair sem nunca mais parar.
Abriu os olhos e se viu no chão do quarto, tinha caído da cama. Assustada, levantou-se aliviada. Deitou na cama e não deu muita bola para o sonho que teve, então dormiu.
O motorista não conseguiu acordar depois de ter capotado com o ônibus naquela ladeira. Desmaiou, perdendo muito sangue e morreu enquanto sonhava flutuar no espaço e lembrava de todas as coisas que amava em sua vida.
Queria poder me desligar de tudo o que houve esquecer o que não pode mais acontecer. Andar olhando para frente e deixar o passado, deixando também o um certo Mário pelo caminho. Não é fácil passar direto quando o coração está pesado, pedir pra conseguir correr das lembranças é o que eu mais faço e só sentir elas voltando é o que eu consigo.
Um dia a paz voltará ao meu coração. E esse dia que não demore a chegar! Porque nem que eu tenha que fugir para o Canadá, vou me ver livre dessa falta de paz. E quem sabe um dia encontre um novo amor, ou encontre na solidão algo que venha a suprir essa paixão.
E eu digo a quem acha que o ama mais que eu, não há um amor maior que o outro, nem poeta ou poesia que consiga descrever um amor com suas palavras. Só há o amor. Só há esse sentimento que agente sente mesmo depois de passado um tempo da despedida, mesmo depois de ver as imagens que não gostaria de ver...
Como diz a música: "Pergunte pro seu orixá, amor só é bom se doer"
Não será muito fácil esquecer o que houve e perder de vista tudo aquilo de bom que aconteceu. Pra ele serei apenas mais uma que passou na vida, pra mim ele será mais um que passou na vida e me deixou do mesmo jeito que os outros. E mais uma vez, como único, ele vai e me deixa com todas aquelas lembranças, as quais eu amaldiçôo, são poesia que não chegou a ser escrita e delas nem foto possuo. Ele sabe muito bem que vai se arrepender, mas quando isso acontecer, meu coração já estará curado, e o arrependimento dele só vai servir para que ele mesmo aprenda que não se deve deixar um amor por um desejo acentuado pela distância medíocre. Por ele, não mais esperarei, e não haverão desculpas ou forma de nos juntar novamente. Aprendi. Mas ainda carrego comigo esse amor, infelizmente, ainda choro por ele quando o sol se põe, porque o frio da noite era a desculpa mais doce que tínhamos para nos abraçar... Em nada posso intervir, não posso obrigá-lo a achar que gosta de mim, como ele acha que gosta de outra pessoa. Porque um dia ele vai ter certeza disso. Bem, e o vício que ele dizia possuir (que ao contrário dos maus vícios o fazia bem), não terá manifestação nenhuma, porque ele perdeu a droga que o entorpecia, seus momentos de torpor serão apenas coisa do passado e suas tentativas de encontrar uma nova droga serão falhas. Ele disse que preferia outro amor, mesmo quebrando a cara, e com essas palavras me tirou da sua vida. Quero ver quanto tempo ele vai aguentar quebrar a cara.
Entreguei e joguei tudo. Não consigo me conter se sei que posso ser feliz. Quando estou certa de que NÃO é a unica palavra a ser dita vem o desejo e o amor e me deixa até sem a certeza de quem realmente sou. E aí eu ajo, e depois fujo... Fujo do mundo, fujo de quem pode me condenar e de quem pode me fazer feliz. Fujo da Vida. Vivo assim com uma angústia infinita, querendo apenas ser felliz, então vivo assim querendo não viver mais. Não quero o que esse mundo me aconselha, quero o que meu coração acha feliz. Quero meu amor - minha vida - não a falsa conformidade.
Com certeza as pessoas mudam e não se pode esperar muito delas...
Me faço esquecer algumas coisas, mas outras são indiscutíveis, elas trazem em si marcas fortes, boas ou ruins.
E a força de certas coisas não é desafiável, não se pode lutar contra.
O que falar então se essas pessoas nos marcam com amor? Que elas nos fazem amar(ou sofrer por amor), nos fazem sentir a mais forte das marcas, que fará com que elas fiquem a vida toda guardadas dentro de nós. Sabe-se que elas virão com muitas lembranças, muitos momentos mágicos, carregados de uma vontade de bis.
Quanto a mim, tenho em minha vida poucas pessoas assim.
E dessas poucas, não há nenhuma pela qual não sinta amor, pela qual não tenha uma grande vontade de ter sempre ao meu lado.
Em 20 anos tenho cinco pessoas, para ser mais exata. Uma delas me deixa no dilema, me faz amar muito, mas me faz triste com a mesma intensidade. Não gosto de me sentir assim... Mas como eu já disse, há coisas mais fortes, mais intensas. Cabe a nós entendê-las e resolver ou deixar nas mãos dos tempo, se deixar levar até que um dia as coisas se resolvam(ou não).
Sou apenas uma criança querendo viver e meu corpo não me abandonaria nesse momento em que luto pelo que mais me importa.
E não falo só pela dor no peito, falo das feridas que eu consigo nas batalhas, essas feridas são profundas, e às vezes se tornam mortais, mas como eu disse, meu corpo não me abandonaria numa hora dessas...
E, do nada minha forças se renovam, fazendo com que as dores fiquem anestesiadas e minha vontade de lutar aumente com a dor que senti.
Mas, às vezes, sinto vontade de desistir, sinto vontade de me abandonar na escuridão do sofrimento...
Então eu penso: "Ora, de que vale se abandonar em tristezas, se há uma batalha para viver?!"
Eu amo. Amo de verdade, e não quero julgamentos e condenações, quero apenas a paz do abraço do meu amor e o calor feliz da certeza de que eu também sou seu amor, nem que para isso tenha que aguentar firme os golpes que recebo na batalha.
Não quero vencedores e perdedores, quero que todos saiam em paz, e falo sério, não estou dizendo isso por hipocrisia nem para parecer uma boa samaritana, quero o amor pois é para isso que eu luto.